Por que voos atrasam? ABEAR Responde

Pessoa com mala de viagem olhando o relógio

Passageiros frequentes do transporte aéreo já devem ter se deparado, pelo menos uma vez, com atraso na partida ou chegada de um voo. Eventos desse tipo não são incomuns na aviação. Podem ser causados, entre outros fatores, por problemas climáticos e até pela presença de uma pequena tartaruga na pista de um aeroporto, como aconteceu recentemente no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.

Apesar dos contratempos, a aviação comercial brasileira obteve elevados níveis de pontualidade em 2018. O país alcançou taxas de 84,9% e 84,2% em decolagens e pousos, respectivamente, considerando operações realizadas em até no máximo 15 minutos em relação ao horário programado. Em igual análise, o Brasil é mais pontual, por exemplo, que os Estados Unidos, um dos mercados mais maduros da aviação, que registrou no ano passado 82,2% (decolagens) e 81,5% (pousos). Esse critério de tolerância de 15 minutos é o adotado pelo DoT (Department of Transportation) dos EUA. No Brasil, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) adota oficialmente o critério de 30 minutos. Ou seja, as companhias aéreas brasileiras têm ótimo desempenho mesmo pelo critério mais rigoroso.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) esclarece quais são as causas mais comuns que geram atrasos em voos. 

Problemas meteorológicos

Chuva forte, rajadas de vento, nevoeiro… tudo isso gera algum tipo de risco para a aviação. Justamente para preservar a segurança de voo, preocupação primordial, os cuidados são reforçados nessas circunstâncias, podendo haver prejuízo à pontualidade. Em São Paulo, por exemplo, as fortes chuvas geralmente fecham o aeroporto de Congonhas no verão, por prejudicar a visibilidade. “Além disso, se um aeroporto fica fechado durante uma hora por causa de uma forte chuva, quando ele é reaberto há um grande acúmulo de partidas e chegadas que foram adiadas”, afirma o consultor técnico da ABEAR, comandante Raul Souza. O nevoeiro, que dificulta a visão dos pilotos sobretudo durante o pouso da aeronave, é comum durante outono e inverno em aeroportos como Santos Dumont (RJ), Afonso Pena (Curitiba/PR) e Salgado Filho (Porto Alegre/RS). Já o vento forte prejudica as aeronaves tanto na decolagem quanto no pouso. 

Balões, drones, pássaros…

O avistamento de pássaros, balões, pipas e drones, notificado por pilotos e outros agentes, pode causar desvios nas rotas e até cancelamentos de decolagens e pousos. A colisão de uma aeronave com um desses itens pode causar diversas avarias no equipamento. “Numa colisão, o piloto avalia a situação da aeronave e pode ter que fazer um pouso não programado, no aeroporto mais próximo, o que atrasa o planejamento traçado para aquele avião ao longo do dia”, diz o consultor técnico da ABEAR, comandante Paulo Alonso.

Incidentes na pista

Pouso de emergência, pneu de trem de pouso furado e surgimento de buraco na pista são algumas ocorrências que podem causar atrasos. A presença de animais, na pista e em suas proximidades, também impacta a operação: é preciso eliminar o risco de que possam ser sugados por um motor em funcionamento.

Falhas técnicas

Problemas no funcionamento de radares, instrumentos de pouso e luzes da pista também podem acontecer e gerar atrasos na malha aérea.

Manutenção não programada

Quando algum problema técnico é constatado em uma aeronave, seja durante o voo anterior ou na checagem rápida do pátio, ela deve passar por uma manutenção que não estava programada. Esse tipo de ação também impacta as operações. Nos casos mais complicados, essa aeronave precisa ser encaminhada para uma avaliação mais completa ou para uma manutenção mais profunda. Então, o voo que se realizaria, bem como todos os seguintes programados para aquela aeronave, podem ter que ser cancelados nesse caso.

Efeito cascata

Todas essas adversidades costumam causar o chamado efeito cascata, quando um problema em um aeroporto desencadeia atrasos em toda a malha aérea. Isso acontece porque um avião que deveria estar no aeroporto B ainda está em solo no aeroporto A devido à presença, por exemplo, de um drone que impede sua decolagem. Consequentemente esta mesma aeronave deveria seguir, após o aeroporto B, para o aeroporto C, e assim sucessivamente.

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