Por que a chuva impacta o funcionamento de um aeroporto? ABEAR responde

As fortes chuvas de São Paulo fecharam o Aeroporto de Congonhas na noite de quinta-feira (10) e na tarde de hoje (11), gerando dificuldades para companhias aéreas e passageiros. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) esclarece abaixo porque isso ocorre e dá orientações para passageiros.

Por que um aeroporto pode fechar com a chuva?

“A razão primordial é a segurança. Nessas situações, a única alternativa é aceitar a força maior, o que leva ao atraso de partidas e chegadas, ao cancelamento de decolagens e ao desvio de pousos para aeroportos diferentes do planejado”, diz o comandante Ronaldo Jenkins, diretor de Segurança e Operações de Voo da ABEAR. O acumulo de água na pista, por exemplo, pode causar a aquaplanagem (derrapagem) da aeronave, trazendo riscos para a operação. Outro fator que influencia o fechamento de um terminal é a falta de visibilidade. “Quando a chuva é muito forte o piloto não encontra condições favoráveis para pousar ou decolar uma aeronave”, diz o comandante. É importante salientar que visibilidade não é o mesmo que luminosidade, pois mesmo à noite, com céu limpo, o piloto consegue pousar uma aeronave, com auxílio das luzes da pista.

Tecnologia

Chamado de ILS (do inglês Instrument Landing System), o equipamento de pouso por instrumentos auxilia o piloto a pousar o avião em cenário de baixa visibilidade, mas há limites. O ILS possui três categorias (CATs). Cada uma é gradativamente mais eficaz que a anterior e capaz de auxiliar pousos em condições meteorológicas mais desfavoráveis. O Aeroporto de Guarulhos, por exemplo, é equipado com o ILS CAT III Alpha, que permite ao piloto uma altura de decisão menor que 30 m e visibilidade de até 200 m para pouso. Já o aeroporto de Congonhas é equipado com o ILS CAT I, que permite uma altura de decisão não menor que 60 m de altura e visibilidade não menor que 550 m. O fato de Guarulhos possuir um equipamento de maior precisão se justifica, entre outros fatores, por estar sujeito a mais interferências meteorológicas do que Congonhas.

Efeito cascata

As primeiras consequências de um aeroporto fechado são cancelamentos, atrasos e desvios de voos para outros terminais. Dependendo do tempo de fechamento, o problema pode gerar um efeito cascata na malha aérea. “Isso acontece porque não há reposição de aeronave. O avião que seria utilizado em um voo, por exemplo, não chega no aeroporto porque ele está fechado. Isso impacta toda a programação de voos que estava prevista para o avião”, diz Jenkins.

Chuva de verão

Segundo o especialista em meteorologia do Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP), 2º Sargento Hiremar Antônio José Soares Silva, quatro fatores influenciam para que São Paulo tenha uma maior incidência de chuvas durante o verão:

  • A geografia da cidade, que é cercada por morros, facilitando a formação de nuvens;
  • Fluxo de umidade e calor trazido da Amazônia, por meio da Zona de Convergência do Atlântico Sul;
  • Corredor de frentes frias que chegam ao Brasil pela Argentina, que também trazem umidade;
  • Pontos de calor intenso na cidade, devido à falta de árvores e a presença de concreto.

Isso contribui, principalmente, para a formação das chamadas Cumulus nimbus, nuvens de tempestade que são formadas rapidamente (em aproximadamente 45 minutos) e concentram granizo, raios e grande quantidade de água. Elas atuam, intensamente, por aproximadamente 10 minutos.

Recomendação

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) recomenda que os passageiros contatem previamente a companhia aérea para confirmar o status do voo, principalmente quando está chovendo forte. O contato é realizado por meio dos SACs das empresas. Os passageiros que se encontram no aeroporto devem buscar ajuda nos balcões de informações das companhias.

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