Clipping

02/03/18

CLIPPING 02/03/2018

O GLOBO

Nevasca fecha o aeroporto de Genebra, na Suíça

https://oglobo.globo.com/mundo/nevasca-fecha-aeroporto-de
-genebra-na-suica-22444864#ixzz58a3L9zo8
 

Azul inclui cerveja gratuita no cardápio de voos em dez cidades

https://oglobo.globo.com/economia/azul-inclui-cerveja-gratuita-no-cardapio-de-voos
-em-dez-cidades-22444900#ixzz58a3WjgK2
 

Temer edita decreto dispensando de imposto federal passagem aérea
comprada pelo governo

https://oglobo.globo.com/brasil/temer-edita-decreto-dispensando-de-imposto-federal
-passagem-aerea-comprada-pelo-governo-22448068#ixzz58a3uIIiC
 

 

O ESTADO DE MINAS

Companhia aérea vai oferecer cerveja gratuita em voos nacionais

https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2018/03/01/internas_economia,941136/
companhia-aerea-vai-oferecer-cerveja-gratuita-em-voos-nacionais.shtml

 

PANROTAS

Aeroporto de Dubai registra leve queda de passageiros

http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/aeroportos/2018/03/aeroporto
-de-dubai-registra-leve-queda-de-passageiros_153750.html?lista

Aeroporto de Chicago terá expansão de US$ 8,5 bilhões

http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/aeroportos/2018/03/aeroporto
-de-chicago-tera-expansao-de-us-85-bilhoes_153746.html?list
a

Tap aluga A319 de aérea francesa para rotas europeias

http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/investimentos/2018/03/tap
-aluga-a319-de-aerea-francesa-para-rotas-europeias_153740.html?lista

KLM vai operar Rio-Amsterdã com Dreamliner diariamente

http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/investimentos/2018/03/klm-vai
-operar-rio-amsterda-com-dreamliner-diariamente_153738.html?lista

United muda papel de revista e poupa US$ 290 mil; entenda

http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/investimentos/2018/03/united-muda
-papel-de-revista-e-poupa-us-290-mil-entenda_153729.html?lista

Anac divulga nova regulamentação de voos fretados

http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/governo/2018/03/anac
-divulga-nova-regulamentacao-de-voos-fretados_153731.html?lista

Aeromexico comemora ao receber primeiro B737 Max

http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/empresas/2018/03/aeromexico
-comemora-ao-receber-primeiro-b737-max_153715.html?lista

 

MERCADO E EVENTOS

Presidente da TAP não descarta A321LR para Nordeste

http://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/aviacao/presidente-da-tap
-nao-descarta-a321lr-para-nordeste/

Pontualidade e capacidade são os desafios de Antonoaldo Neves
à frente da TAP

http://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/aviacao/pontualidade-e-capacidade-sao
-os-desafios-de-antonoaldo-neves-a-frente-da-tap/

Azul é a companhia aérea mais pontual do Brasil

http://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/aviacao/azul-e-a
-companhia-aerea-mais-pontual-do-brasil/

TAP lança novo vídeo de segurança e kit conforto na BTL

http://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/aviacao/tap-lanca-novo-video
-de-seguranca-e-kit-conforto-na-btl/

Embraer recebe certificado para E190-E2

http://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/aviacao/
embraer-recebe-certificado-para-e190-e2/

 

VALOR

Silêncio em Guarulhos 

Por Tatiana Salem Levy 

Eu estava a caminho do aeroporto de Lisboa quando recebi uma mensagem da TAP avisando
do cancelamento do meu voo para o Rio de Janeiro (motivo: problemas técnicos, ou seja,
problemas da companhia). Fiquei possessa, como podem imaginar, sobretudo porque meu
aniversário era no dia seguinte e eu tinha combinado um almoço com a minha família, depois
de meses sem vê-la. No guichê da companhia aérea, a indicação era para que os passageiros
pegassem o avião na manhã seguinte. Ora, é verdade que eu me importo cada vez menos
com o meu aniversário, mas não a ponto de querer passar o dia inteiro numa apertada cadeira
da econômica, ainda por cima sozinha. Quando eu chegasse do outro lado do Atlântico, o dia
já teria terminado, e eu estaria um ano mais velha sem nenhuma comemoração. Não fazia
sentido.

Portanto, voei até São Paulo e aguardei no aeroporto de Guarulhos cinco horas para pegar
um voo para o Rio. Aeroporto e inferno, para mim, são mais ou menos o mesmo lugar.
Portanto, quando cheguei a São Paulo, estava querendo matar a TAP. Mas como a TAP é
uma empresa cada vez mais abstrata, praticamente incomunicável, essa missão estaria fora
de possibilidade. Então, fiz como a maioria das pessoas faz hoje em dia: entrei no Facebook
para despejar a minha raiva. Nessas horas, eu acho o Facebook - que tem inúmeras
desvantagens - uma maravilha, pois nos faz sentir menos sozinhos no mundo. Afinal, em
poucos minutos apareceram dezenas de pessoas que também haviam passado por problemas
similares aos meus. Foi uma catarse coletiva.

Uma hora depois, a internet acabou. Eu ainda não tinha o meu 3G ativo e o aeroporto de
Guarulhos oferece apenas uma hora de internet gratuita. Achei que não valia a pena pagar
para continuar reclamando, e saí em busca de uma livraria. Eu não tinha nenhum livro comigo,
pois a princípio passaria apenas uma noite no avião, dormindo... E livrarias de aeroporto,
vocês sabem, não são lá muito diferentes do resto do aeroporto, mas acabamos sempre por
encontrar alguma coisa. Um pequeno livro me chamou a atenção pelo título, "Silêncio na
Era do Ruído" (Objetiva), ao mesmo tempo em que me desanimou pela menção estampada
na capa: Best-seller internacional (sim, eu sou dessas pessoas que resiste a um best-seller
internacional e a um filme "blockbuster"). Hesitei, mas o título e a contracapa saíram
vitoriosos. Silêncio era tudo de que eu precisava depois do barulho em que a TAP havia me
metido.

Erling Kagge, o autor, é um norueguês de 55 anos. Na Wikipédia, para o nosso deleite, é
descrito como: explorador, advogado, colecionador de arte, empreendedor, político, modelo
da Rolex, autor e editor. Terminei a descrição sem fôlego. Mas quando li o livro, numa cadeira
de Guarulhos, ele se apresentava apenas como explorador, editor e pai de três filhas
adolescentes que, como qualquer adolescente do mundo de hoje, vivem enfurnadas em
telefones, tablets e não suportam muito tempo fora da comunicação. Foi de uma conversa com
elas que surgiu a ideia do livro. À mesa de jantar, Kagge queria convencê-las de que o silêncio
é um luxo mais valioso do que as bolsas da Marc Jacobs. Sem sucesso, passou as noites
seguintes pensando a respeito de três perguntas: "O que é o silêncio? Onde está? Por que
hoje o silêncio é mais importante do que em qualquer outra época?" No fim, ele tinha 33
tentativas de resposta e são essas tentativas que compõem o livro.

Kagge foi a primeira pessoa a caminhar sozinha no polo Sul e a chegar aos três polos - Norte,
Sul e o cume do Everest. Só de imaginar esses lugares, já imaginamos o silêncio, embora o
"silêncio" não seja o mesmo que o "nada". Em outras palavras, há ruídos até no polo Norte,
do gelo que quebra, por exemplo. O silêncio absoluto não existe, ao menos não para nós. E,
por isso mesmo, trata-se antes de uma forma de estar no mundo momentaneamente. Em
realidade, de não estar no mundo. Diz Kagge: "Quando não posso caminhar, escalar ou
navegar pelo mundo, aprendi a trancá-lo do lado de fora. (...) enterrado sob a cacofonia de
barulhos do trânsito e pensamentos, musica e ruído de máquinas, iPhones e removedores
de neve, ele estava à minha espera. O silêncio".

Numa troca de e-mails sobre o tema, o grande escritor Jon Fosse diz a Kagge: " De certa
maneira é o silêncio que deve falar. Talvez porque o silêncio traga consigo o deslumbramento,
mas também porque traz uma certa majestade em si, como um mar ou uma infinita planície
nevada. E quem não se deslumbra com essa majestade tem medo. Na verdade, é por isso
que muitos têm medo do silêncio (e é por isso que temos música como pano de fundo em
tudo, por toda parte)."

Já falei sobre o ruído constante do mundo atual e a necessidade do silêncio quando escrevi
sobre "Pape Satàn Aleppe", o último livro de Umberto Eco. Eco dizia que em breve o silêncio
será o luxo mais caro de todos e as pessoas pagarão muito para passar uns minutos longe do
 barulho. No fundo, já faz tempo que o silêncio é coisa de rico. Como lembra Kagge, "pessoas
com salários baixos trabalham via de regra em locais mais barulhentos do que as pessoas
com salários altos, e as casas e apartamentos onde eles moram têm pior isolamento acústico.
Os bem de vida moram em lugares com menos barulho e ar mais puro, e seus carros também
fazem menos barulho, assim como suas máquinas de lavar roupa".

Nos dias de hoje, tornou-se cada vez mais difícil fechar o mundo do lado de fora e
experimentar o silêncio. As filhas de Kagge quase nunca param. Estão sempre acessíveis e
praticamente o tempo todo ocupadas. As filhas dele, mas também (quase) todos os outros
filhos nos mais diversos lugares do planeta. Abordei recentemente a literatura como resistência
pelo seu caráter de inutilidade - num mundo governado pela lógica da utilidade e do lucro, a
inutilidade (a experiência sem um fim pragmático, ou pura e simplesmente a curiosidade) tem
um valor revolucionário. Ora, num mundo inundado pelo barulho, o silêncio também. E eu não
conheço nada tão potente quanto a literatura (é verdade que nunca estive em nenhum dos
polos, nem no Norte, nem no Sul, nem no monte Everest) para nos permitir trancar o mundo
do lado de fora.

Pouco depois de ter sentado numa cadeira em Guarulhos, lendo o livro de Erling Kagge, eu já
dominava a fabulosa magia de não ouvir os chamados para os voos, as conversas alheias
nem os apitos dos smartphones. Nem Harry Potter foi tão longe em seus truques. Cheguei até
a esquecer (por pouco tempo, é verdade, pois o livro é curto) que a TAP havia cancelado o
meu voo... Quando um livro é bom, a gente só ouve as palavras que nele estão escritas. E os
silêncios entre elas.

Erling Kagge, que é também editor, transita, em "Silêncio na Era do Ruído", entre as
explorações, a poesia e a filosofia. Do seu lado aventureiro, traz, por exemplo, a experiência
vivida no seu turno solitário como vigia num passeio de barco pela costa do Chile em 1986. De
repente, ele ouviu uma respiração lenta e profunda vinda do oeste. Era uma baleia, de cerca
de vinte metros, a apenas alguns metros de distância. Kagger se deslumbrou ao escutar o
"profundo barulho que vinha do orifício respiratório que ela tinha no dorso". O som da
respiração de uma baleia é silêncio puro. No romance "Barba Ensopada de Sangue", Daniel
Galera também descreve, numa das passagens mais bonitas do livro, o encontro do
protagonista com a respiração de uma baleia. Eu não sou nada exploradora, mas certa vez
ouvi a respiração de um cachalote num passeio de barco na ilha da Madeira, e posso garantir
que, como afirma Kagge, "o mundo não foi mais o mesmo depois disso".

Da literatura, o autor nos traz, por exemplo, dois haicais que nos levam diretamente para o
silêncio. O primeiro é de Basho: 

"Uma velha lagoa - 

Um sapo que dá um salto: 

O chapinhar da água" 

Três versos e eu já estava bem longe de Guarulhos, numa casinha no campo, ouvindo o
silêncio da natureza. O segundo foi escrito por um poeta anônimo das ilhas Matsushima e diz
o seguinte: "Ah, Matsushima". E lá estava eu nessas ilhas, que mal sei onde ficam, vendo,
através do silêncio do poeta, a sua beleza. 

Mas o silêncio parece cada dia mais distante do nosso mundo. Não paramos de inventar
aplicativos de barulho coletivo. Eu mesma entrei no Facebook naquela manhã para gritar em
comunidade. E essa sensação pode até ser momentaneamente boa, mas o mundo continua
exatamente o mesmo depois dela. Igualmente ruidoso, igualmente claustrofóbico. Ao desligar
meu smartphone, depois do desabafo contra a TAP, o mundo era exatamente o mesmo, e eu
estava até mais enfurecida, por perceber o que as companhias aéreas estão fazendo com
seus passageiros. Ao fechar o livro, o mundo até podia ser o mesmo, mas já me parecia um
pouco melhor. Ao menos, o meu humor era outro, e eu entrava no avião para o Rio mais
animada. Portanto, fica aqui a dica: se for para Lisboa em breve, não se esqueça de levar um
livro. Imprevistos acontecem com frequência e mais vale garantir o seu silêncio do que se
estressar com os ruídos do aeroporto.

Tatiana Salem Levy, doutora em letras e escritora, escreve neste espaço quinzenalmente 

E-mail: tatianalevy@gmail.com 


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